A dor de cabeça vem depois que as lágrimas se esgotam, sempre foi assim. Ela me acompanha até que eu consiga enfim pegar no sono, mas até lá tem chão. Viro para um lado e para o outro como se quando eu me movimentasse as coisas ruins fossem embora, estranho. Dou voltas nos pensamentos e é tanta coisa pra refletir que a dor de antes se transforma em um mero detalhe. Alguns acham que eu sou sensível demais, só que não, eu não sou. Se eu tô ali chorando, é porque doeu de verdade, doeu mais que bater o dedinho na estante, mais que dor de barriga ou de dente, doeu de verdade lá no fundo não é coisa pequena, não foi coisa pequena, eu não sou assim por mais que aparente. Pra uma lágrima escorrer tem que ser profundo. As pessoas tem a péssima mania de achar que o que é pequeno pra elas é pequeno para os outros, porque tão tolos? Sentimentos são cristais, tem que cuidar e passar um paninho de vez em quando pra que continue brilhando não se pode descuidar, porque quando deixa de brilhar aí já era. Deixar de brilhar é pior que quebrar, porque quando quebra são milhões de pedacinhos ali iluminando tudo, bem verdade que jamais serão os mesmo, porém o brilho não se apaga. Não sei se dá pra entender, é um raciocínio besta de quem começa um pensamento falando de dor de cabeça e quando vê esta falando de cristais. Depois de tanto pensar o sono ainda não veio, só que a dor já está indo embora, não se se isso é bom porque a vontade de chorar tá voltando de novo. Ainda bem que uma hora o sono chega. É tão bom dormir e se perder no mundo dos sonhos esquecendo que tem um pesadelo lá fora.